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terça-feira, 9 de novembro de 2010

Melancolia de Inverno, I

Mais uma noite devorada em frente a esta máquina que me tira o sono. Será só esta máquina que me tira o sono? A dor no coração parece provocar este mesmo efeito, mas não será suficiente, a dor, para me impedir de dormir.


Quando me sinto só e sou atormentado por uma notável vontade de escrever um texto agravo a ideia de que preciso de alguém. Não estou carente certamente, mas preciso de alguém. Alguém me compreenda verdadeiramente e me ensine o que é ser feliz novamente. Aquela coisa, a que alguns chamam de tristeza é mais profunda no inverno. Estes dias cinzentos que pesam na alma não são suficientemente extensos para descobrir o amor, ou uma amizade especial que me arranque desta cadeira, velha e triste.


Pergunto-me do que é feito dos meus amigos? Eles estão cá, a meu lado mas não é suficiente. Esta melancolia que me aperta a alma é exigente. Pede mais e mais, enquanto tenho vontade de menos. A triste melancolia que nunca fui quebrada até à primavera, estação onde florescem novos amores e amizades transforma-se numa rotina. Na triste rotina de inverno que culmina no Natal, e me faz querer voltar à infância, onde não sabia o que era amar, mas também não sabia o que era sofrer. Fernando Pessoa, desejava ser inconsciente e ter a consciência disso. Eu desejo ser consciente, amando, mas inconsciente nos problemas que desencaixam o meu coração. O coração não é só símbolo do amor, é símbolo de vida. Será que sobreviverei a mais um triste, longo e melancólico inverno?